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Águas Abertas: Angélica André procura fazer a melhor classificação portuguesa feminina em Jogos Olímpicos

No “rescaldo” da conquista do apuramento olímpico estivemos à conversa com a nossa nadadora Angélica André

Após a conquista, no passado sábado, do passaporte para os Jogos Olímpicos de Tóquio2020 estivemos à conversa com a nadadora do Fluvial, Angélica André.

A fluvialista de 26 anos vai estrear-se nos Jogos Olímpicos de Tóquio a 4 de Agosto de 2021, na prova de 10km em águas abertas.

Confessou que durante a prova de apuramento, mesmo quando descolou e ficou no restrito grupo da frente, não dava nada por garantido. Mas assim que tocou no placard da chegada – e após uma parte final de prova muito dura fisicamente – foi invadida pela feliz sensação de “dever cumprido”.

Acredita que o facto de não ter abastecido na 3ª volta, aliado a não ter almoçado grande coisa por estar muito nervosa, levou a que não tivesse tanta força na parte final da prova. Quando descolou reuniu forças e pensou que não se podia deixar ficar para trás nem ser apanhada por ninguém.

Naquela tarde de sábado, o 5º lugar na prova valeu-lhe o passaporte para os Jogos Olímpicos de Tóquio. Mas o caminho até aqui chegar não foi fácil e exigiu muito trabalho físico e sobretudo mental.

Em 2012, quando nadou pela primeira vez águas abertas e participou na primeira prova internacional, os Jogos Olímpicos eram um “sonho”. Este sonho virou objectivo em 2016. Treinou, embora hoje reconheça que não tão focada como nos últimos anos, para garantir o apuramento para o Rio de Janeiro e acreditou mesmo que fosse possível. Depois do desaire no apuramento de 2016, dedicou-se de corpo e alma a trabalhar com o técnico Rui Borges para O objectivo: Jogos Olímpicos Tóquio 2020.

Depois de 2016 foi buscar força à vontade que sentia em, de certa forma, “redimir-se”. Confessa que não foi fácil digerir o apuramento da então colega e fluvialista Vânia Neves que, reconhece, foi aos Jogos “com todo o mérito”. Passado um mês da prova de apuramento quis provar a toda a gente, e a si própria, o que valia, logo no Campeonato da Europa onde participou e nadou com “muito sentimento”.

Aprendeu com os erros do apuramento de 2016: nunca mais voltou a assumir a liderança de uma prova e diz que agora nada “de trás para a frente”. Reúne forças, decide que vai apanhar toda a gente e arranca cheia de gás.

A nadadora desvenda que a principal diferença da Angélica de 2016 para a Angélica 2021 foi o crescimento pessoal e enquanto atleta. Uma das peças fundamentais neste processo foi a psicóloga, Dra. Cláudia, que muito a ajudou a trabalhar hábitos, rotinas e a mentalizar-se para este objectivo. E o trabalho foi árduo de 2016 até agora.

Ainda assim, a fluvialista revelou que há um ano quis desistir de tudo. “Estava farta e muito cansada psicologicamente. Foi ali uma semana muito difícil para mim e acredito que para o Rui também. Só queria deitar a toalha ao chão”. E desengane-se quem pensa que teve a ver com o confinamento e o adiamento do apuramento para este ano: “não teve a ver com isso até porque o clube sempre me deu oportunidade de treinar, mesmo durante os confinamentos”. Mas, admite, “psicologicamente não estava tão forte como agora”.

E se naquela altura não desistiu, à Maria o deve. “Foi ela que me disse que não me ia deixar desistir e que me ia ajudar e fazer de tudo para que eu estivesse de volta”, conta. Esta conquista de que foi a grande obreira tem muitos “agradecimentos” por trás: os pais, irmãos, tios, avós, toda a família; a Tica, o Edu, a Edésia; o Rui e os 14 anos que levam de trabalho conjunto; o “Mingos” que hoje está também no Fluvial mas que foi o grande responsável pela sua formação no LSC; o Cristiano, a Dra. Cláudia, o Dr. Jaime, a Joana, o clube, a FPN, os colegas de equipa e todos que a apoiam diariamente são merecedores de agradecimentos.

A pouco mais de um mês para a estreia nos Jogos Olímpicos de Tóquio, a nadadora afirma que quer competir com as melhores até porque também ela se tornou numa das melhores do mundo. Traça como objectivo “mínimo” a melhor classificação portuguesa feminina de sempre nas águas abertas [17º lugar de Daniela Inácio]. Imagina que serão uns JO atípicos, diferentes de todas as histórias que já ouviu sobre a prova, mas talvez por isso ainda mais únicos e especiais.

Vai buscar a motivação diária aos objectivos que traça, como este sonho-objectivo olímpico, e mesmo nos dias em que a vontade escasseia o treino acaba por correr bem e vai gerando uma “bola de neve positiva”.

“Um ano de cada vez” e alguns risos foram a resposta à pergunta se já tinha pensado se está disposta a lutar por uma vaga nos Jogo de Paris 2024. Ainda assim acha que desportivamente falando não quer acabar por aqui. Mas remete mais decisões para o pós-Tóquio.

Embora passe horas e horas, por dia, a nadar, está a tirar uma licenciatura “com muita calma”, de forma a manter-se ligada à natação, embora fora de água, quando decidir colocar um ponto final na carreira de nadadora.

Aos jovens nadadores aconselha a não terem pressa e a não quererem resultados imediatos e aproveitarem o processo, “que pode ser muito longo, mas que nos leva aos nossos objectivos”, utilizando-se como exemplo: “Eu tenho 26 anos, há 10 anos era recordista nacional absoluta, foi quando obtive o meu primeiro recorde nacional e já era sénior. Antes disso, nos escalões de formação, nem campeã nacional era”. “Há que acreditar, trabalhar e não desistir até conseguir”, afirma. Todos tivemos o privilégio de testemunhar, in loco, no Fluvial, como a nadadora seguiu à risca estas palavras: acreditou, trabalhou, não desistiu… e conseguiu!

A entrevista na íntegra pode ser lida aqui.

Força Angélica! A família Fluvial está contigo!

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