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Natação Adaptada: “Queremos retribuir ao clube com o nosso bem estar, alegria e superação a cada sessão de trabalho”

Prestes a iniciar a primeira competição da época, Hélder Teixeira em entrevista ao Fluvial 

O Fluvial tem um novo treinador à frente da equipa de Natação Adaptada. O técnico Hélder Teixeira regressa a uma casa que bem conhece. Conversámos com o treinador sobre o seu regresso e os desafios que se segue nesta nova etapa.
 

Antes de mais, bem-vindo de volta ao Fluvial! Como está a ser este regresso?

É sempre bom voltar a casa, neste caso para a piscina de sonho, que partilho com todos os que sentem e vivem este clube. Regressar a mais uma etapa do clube que esteve presente em quase todas as etapas da minha vida é sempre gratificante. Existe uma história que é impossível de dissociar.

 

Qual a principal motivação para este regresso?

O desafio que me propuseram é para mim a grande motivação. Tive, no passado, a honra de fundar a Natação Adaptada no clube, o atleta fundador é hoje o nosso master Miguel Silva.

Tudo o que foi conseguido no passado, a nível de Natação Adaptada, e considerando também a entrega total do clube nos seus momentos mais difíceis, não pode ser esquecido. É uma área de atuação exigente, mas a exigência é compensada diariamente com a entrega dos nossos praticantes.

A Natação Adaptada no Fluvial está em reorganização, é um espaço de todos, para todos, de forma criteriosa. De momento, por todas as condições materiais e humanas que o clube proporciona, só podemos estar motivados, muito motivados. É nesse sentido que queremos retribuir ao clube, com o nosso bem-estar, alegria e superação a cada sessão de trabalho.

 

Que novas aprendizagens e experiências trazes agora para esta nova fase ?

Tem existido uma presença multidisciplinar no projeto apresentado. Natação Adaptada, para mim, será sempre muito mais do que nadar. Estamos cá todos para nos compreendermos e superar todas as barreiras possíveis. Nesse sentido, também a Escola Aquática do clube reforçou o seu enquadramento em questões de aprendizagens. Temos crianças com necessidades especiais nas classes de aprendizagem e, para continuidade futura, a natação adaptada no âmbito pré-competitivo já apresenta respostas de duas a cinco sessões semanais.

O nosso Fluvial, com a sua história de 149 anos, sempre se adaptou a todas as dificuldade com todos os seus associados portanto iremos só dar continuidade, pois as dificuldades e diferenças estão em todos nós.

 

Na tua opinião o que mais evoluiu no panorama da natação adaptada nos últimos anos?

No panorama nacional está tudo muito ficado para o resultado desportivo. Portugal tem recordistas e campeões do mundo reconhecidos mundialmente, exceto pela nossa classe política, nem mesmo em ciclos eleitorais. Esta é a realidade que todos sabemos que existe. A ausência de critérios de reconhecimento no mérito desporto é garantidamente preocupante no nosso país.

Se todas as entidades presentes no projeto Portugal a Nadar aderissem a uma inclusão de verdade teríamos, na próxima década, resultados de cidadania desportivos reais e de igualdade.  Mas, infelizmente, ainda não acontece na grande maioria dos municípios e espaços de prática desportiva aquática.

Entendo que a inclusão é um tema presente nas comunidades desportivas, mas na prática são poucos os espaços desportivos que se tornam verdadeiramente inclusivos, pois quase sempre são criadas soluções paralelas à verdadeira necessidade da pessoa humana. 

 

Quais os principais objetivos para esta época?

Os objetivos estão definidos com a equipa técnica: Débora Santos no suporte das questões sociais e pedagógicas; Alexandra Silva, técnica de apoio ao ginásio e Nuno Barbosa, técnico de apoio para a natação. Os objetivos passam essencialmente pela promoção da saúde e bem-estar. E todos os atletas que demonstrem essa vontade e se determinem a ir mais além, terão o nosso apoio para o melhor resultado desportivo possível, de acordo com a condição do seu enquadramento.

 

Que tipo de evolução gostarias de ver no grupo?

O grupo está a ser criado e já temos um grupo significativo que nos permite trabalhar de forma adequada a cada patologia. Com os novos elementos estou certo que vamos evoluir para a coesão de um grupo, uma equipa, todos um só unidos no apoio partilhado.

Desportivamente, acredito que será positivo o resultado individual de cada atleta.

 

Que mensagem gostarias de deixar aos atletas e família fluvialista nesta nova etapa?

Aos atletas do Fluvial gostava de salientar a importância de representar a história do clube com 149 anos. Somos um clube das duas margens e não somos esquecidos aquando a nossa passagem desportiva por cá. A identificação enquanto “família fluvialista” tem uma relação real com o que somos. Explorem o vosso potencial de hoje pois irá ser suporte para o amanhã.

Aos associados em geral, o meu agradecimento pelo reconhecimento constante que, ano após ano, tem sido aumentado.


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